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Maratona - Darren Aronofsky (Réquiem Para Um Sonho, Cisne Negro, Noé)

Talvez o grande diretor dos últimos anos seja Darren Aronofsky, e nesse texto irei dissecar filme a filme desse incrível diretor para entendermos sua mente através de sua obsessão por seus filmes. Um diretor que faz filmes de certa forma perturbadores mas que mexe com o público como poucos.

Darren Aronofsky tem como característica a direção de filmes impactantes, que causam incomodo, de certa forma polêmicos, mas acima de tudo com uma excelente história. Alguns chegam a achar seus filmes um tanto intragáveis de tão crus, mas com certeza memoráveis, tratando sempre de temas recorrentes, obcessão, mente humana e o próprio homem, fazendo com que maratoná-los chegue próximo a uma experiência filosófica. Então vamos agora falar de seus seis filmes:



1-Pi (1998)

Com ares indie, preto e branco, intimidador mais muito interessante. O protagonista Max é um matemático paranoico que acredita que tudo no mundo é formado por padrões numéricos, mas existe um incomodo, o Pi, um número aparentemente infinito sem qualquer padrão, e enquanto ele se propõe a achá-lo sua mente vai se perturbando, os agentes da bolsa de valores querem o seu dom para achar o padrão na bolsa e um grupo judeu passa a achar que o seu dom é um sinal divino.

E enquanto ele tenta desvendar o padrão de Pi para entender o padrão do universo Aronofsky pensou em como retratar esse sentimento em tela, e fez ótimas escolhas, o uso de preto e branco vai além do convencional, é literalmente preto no branco, um alto contraste de cor que mostra como não existe degrade para Max, ele simplesmente não entende coisas como afeto e sexo, esse alto contraste cria uma confusão que nos é passada com maestria, o filme chega a nos atordoar com seus cortes rápidos e secos que se tornariam uma nova linguagem em seu próximo longa.



2-Réquiem Para Um Sonho (2000)

Este talvez seja o filme mais aclamado do Aronofsky, e não é por pouco, desta vez com elenco de peso e um orçamento razoável para um segundo filme, Jared Leto e Ellen Burstyn incorporam seus personagem, um jovem que, junto com o parceiro dele, decide começar a traficar drogas, tentando ficar rico e montar uma loja de roupas para sua namorada estilista, o grande problema é que os três são viciados em heroína. Pela sinopse do personagem de Jared Leto se pode muito facilmente confundir Réquiem como um filme de drogas, o que é uma interpretação muito simplória, o filme fala novamente sobre obcessão (tema recorrente em todos os filmes de Aronofsky), mas tem como foco principal o vício, como pode ser visto na história da personagem de Ellen Burstyn, que interpretou de modo fenomenal Sara, uma mulher de terceira idade aposentada e viciada em TV, que vive solitariamente e sem nenhuma perspectiva, até que é convidada para participar de um desses programas médios de TV americana, e nesse momento ela acaba passando por uma autoprovação quanto a sua imagem, viciando-se cada vez mais nela e se enlouquecendo com isso.

E foi nesse filme que Aronofsky criou uma linguagem que elevou seu nome, a Hip Hop Montage, vários cortes subsequentes que vale mais ser visto do que lido:



Curiosidade: devido ao Hip Hop Montage Réquiem para um sonho possui 2000 cortes, enquanto a média de um filme é 600.

3- Fonte da Vida (2006)

O grande divisor de águas da carreira de Aronofsky, pode ser chamado de “baboseira transcendental” ou “pretensioso” até “Uma reflexão sobre a vida e o amor”, crítica não gostou tanto, público menos ainda, mas para mim um dos melhores filmes que já vi, e apesar de eu ainda não ter chego à parte da vida em que terei experiência para compreendê-lo em sua plenitude existem momentos deste filme que levo comigo para onde for, a sensibilidade de Aronofky quanto à cinematografia e o roteiro é linda.

Parece que Aronofsky usou esse filme para alimentar seu desejo por fazer um filme de ficção científica não convencional e ainda usar o cinema para resolver alguns problemas quanto a finitude da vida. O resultado foi uma das mais belas histórias de amor e vida. Um fato que está muito refletido no filme é que o roteiro começou a ser escrito na crise de 30 anos de Aronofsky, e no meio disso seus dois pais foram diagnosticados com câncer, e por isso acho que a própria vida tem que te matar um pouco para o total entendimento.

É difícil escrever a sinopse do filme por ele ser muito interpretativo, as interpretações podem ir desde o cerne do amor, do modo mais puro, até um filme sobre viagem no tempo, mas abordando friamente pode-se dizer que o filme se passa em três tempos, no ano de 1500, em que um homem tenta achar a fonte da vida bíblica do Éden para salvar a frança e conquistar sua amada rainha, em 2000, em que uma mulher com câncer escreve a história anterior enquanto seu marido, por amor, não passa o tempo com ela para buscas a cura para o câncer, e em 2500, em que este homem da história anterior está indo para um lugar onde se pode dizer que existe a morte como uma forma de vida.


4- O Lutador (2008)

O filme mais mainstream dele, mas que teve um dos maiores lucros porcentualmente, Randy é um lutador que teve seus dias de glória no passado, famoso e rico, mas aos poucos sua carreira foi afundando e ele num espírito de obcessão continua lutando mesmo que isso ainda não signifique nada para ninguém, durante a semana ele é um funcionário de um supermercado e aos finais de semana ele insiste em continuar sua carreira, ele se envolve num relacionamento com uma stripper de meia idade que de certo modo passa pelo mesmo problema que ele, e o plot do filme seria ele tendo que aceitar a dura realidade e entendendo que na vida o que importa é quem aguenta mais porrada, não quem bate mais forte.

Um aspecto interessante da montagem deste filme é que Aronofsky costuma filmar as passagens de Randy todas mostrando as suas costas, menos em seus momentos no ring, em que podemos ver a sua cara ensanguentada, como se fosse o único momento em que ele realmente consegue uma identidade.


5- Cisne Negro (2010)

Em 2010 Aronofsky vem com um filme irmão de O Lutador, Cisne Negro, este sim que foi um filme super aclamado pela crítica, concorrendo até a melhor atriz, melhor diretor e melhor filme naquele Oscar, Oscar de Natelie Portman muito bem recebido. Eu disse que é um filme irmão d’O Lutador por, além de serem apenas dois anos de diferença, trata dos mesmos aspectos, o seu corpo como uma forma de expressão e a criação de uma identidade através dessa expressão, só que enquanto O Lutador fala de algo mais sujo, Cisne Negro fala desta delicada arte do balé, a inspiração para este filme vem de várias fontes, a primeira de sua irmã que é bailarina então consequentemente ele possui uma intimidade com esta arte, e é um ambiente bom para se passar esta história por que é algo que exige muito do corpo, às vezes ele não aguenta, e então ela é substituída, outra inspiração é de uma peça do Dostoyevsky chamada The Double, um homem que sofria ao ser substituído por outro, e ele já tinha ligado os pontos, mas quando ele foi assistir ao espetáculo do Lago dos Cisnes e percebeu que tanto a rainha dos cisnes quanto o cisne negro eram interpretados pela mesma mulher, era hora de fazer este filme.

Nina, personagem de Natelie Portman, vive uma vida de muita cobrança quanto ao balé, em casa sua mãe, uma ex-bailarina, que viva cobrando para que Nina esteja a sua altura, quanto Nina, para chegar a “perfeição”, e quando ela consegue o papel da Rainha dos Cisnes se torna uma espécie de desafio pessoal. E com muita facilidade consegue interpretar a delicada Cisne Branca, perfeita, mas quando tem que interpretar a intimidadora e sensual cisne negra ela se perde, e passa a ser uma obcessão incorporar o cisne negro antes que seja substituída.  

O mais interessante deste filme é que grande parte das cenas não aconteceram do modo que está no filme, como se fosse na cabeça da personagem, ou uma metáfora para o que realmente aconteceu, e neste aspecto o filme se torna ainda mais interessante quando o expectador deve por si próprio enxergar mais do que um simples filme de balé e encontrar as lacunas.

I was perfect

 6- Noé (2014)

Esse filme é a interpretação de Aronofsky quanto o evento bíblico da Arca de Noé, e nisso se deu a grande polêmica quanto à esse filme, muita gente (não que seja culpa delas) foi ao cinema má informada quanto ao filme e acabou se frustrando, o mesmo que aconteceu em Árvore da Vida com o público que foi ver apenas mais um filme do Brad Pitt, e não é bem assim.  Como a gente sabe o Aronofsky gosta de colocar um pouco de si em seus filmes, além do caráter obsessivo que ele deu para Noé, Deus não fala com ele, manda sinais que devem ser interpretados da melhor maneira possível.  E dá para imaginar como deve ser chocante para uma família religiosa ir ao cinema esperando um filme bíblico e se deparando com pedras gigantes de seis braços caindo do céu como anjos.

Mas embora o filme tenha um visual Aronofsky,  cheio de cenas videoclipe, uma cena muito profunda por exemplo é a que ele mostra em poucos minutos a evolução da violência para entendermos por que Deus iria querer despovoar os homens da Terra. Faltou para mim alguma cena em que o Noé de fato se despedaçasse, um grande clímax para o personagem, que até existe mas nem é comparável com o de seus filmes anteriores, Noé, apesar de ser um ótimo filme, pode ser considerado o mais fraco de Aronofsky, mas em compensação fez muitos milhões de dólares, o que garantiu o seu próximo filme, Mother!, com data de estreia prevista para o segundo semestre de 2017, estrelado por Jennifer Lawrence, vamos esperar mais um grande filme de um grande diretor, retratando todos os seus demônios na tela e nos presenteando a assistir isso.


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