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The Original: Westworld tem muito à questionar

Em dado momento do piloto de Westworld, nova série da HBO roteirizada por Jonathan Nolan (envolvido na maioria dos projetos de seu irmão, Christopher Nolan) o criador do parque Westworld, Dr. Ford (vivido por ninguém menos que Anthony Hopkins) diz que vencemos a seleção natural. Que o homem chegou a tal ponto da evolução que de certo modo pode controlar a própria morte, e até que faz sentido: não morremos pela maioria das doenças, construímos nos lugares mais absurdos e suportamos os maiores problemas naturais. Isso passou do puro instinto de sobrevivência, o ser humano quer se sentir vivo.

Westworld nos mostra um mundo onde seres humanos, pagando, podem ter uma experiência real no Velho Oeste americano, com todos aqueles clichês dos filmes do gênero. E nesse parque, com robôs contracenando um roteiro escrito pelos desenvolvedores, quem possui dinheiro pode ser o que preferir, vaqueiro, herói ou vilão. Mas isso dependendo, claro, do que sua mentalidade faria num mundo sem regras ou punições. O maior problema é quando esses androides começam a ter algumas noções de existência.


E quais noções existenciais são essas? As mesmas que nos separam do resto dos animais, eles vivem e sobrevivem sem saber quem são, mas nós sabemos, e por isso tamanha procura pelo criador. Se lembram daquela questão de Blade Runner de até onde iriamos para descobrir nossa criação? os Anfitriões (nome dado aos androides habitantes) estão para encontrá-la. E isso, feito do jeito certo, pode ser outro marco da HBO na TV. A questão levantada sobre inteligência artificial também é a mesma de Blade Runner: o que acontecerá quando ela descobrir sua existência?

Ao primeiro contato é um pensamento assustador até percebermos o quão palpável ele é. A começar pela ideia de um lugar onde o sadismo nosso de cada dia é materializado. É como jogar GTA (ou Red Dead Redemption no caso). Em Westworld você pode ser livre para ser aquilo que essa sociedade te impede de ser. E é um conceito romântico até descobrirmos o que realmente seria feito em um lugar livre, isento de regras. E é o dinheiro do cliente que corta qualquer ligação moral com a realidade. Eu adoro Game of Thrones, mas não sei se é hipocrisia ou auto-critica uma série da HBO questionar nos entretermos com coisas tão repudiadas no mundo real.

Só conseguimos dizer se um dia foi bom ou ruim quando temos o resto de uma vida inteira para comparar. E aos anfitriões foi concebido um novo dom: o de se lembrar, memórias de um passado remoto ou do dia anterior antes de "serem reiniciados". E o quão perigoso isso pode se tornar? Se agora eles conseguem lembrar, pensar, formar raciocínio, estes primeiros lapsos de inteligência, os anfitriões acabaram de entrar na sua Idade da Pedra.

Será uma questão de tempo para que essas memórias se relacionem, e criem uma personalidade. Um ser que, como nós, busca pela liberdade, liberdade esta que é vendida pelo próprio parque. E se Dr. Ford estiver certo sobre a raça humana enganar a evolução? Talvez seja melhor parar de brincar de Deus.

Parece que encontramos a grande série estréia do ano.

2 comentários:

  1. Crítica brilhante, Artur! Numa era de Siris e Cortanas cada vez mais humanas o contexto de Westworld se torna assustadoramente plausível e essas questões que você levantou são precisamente a espinha dorsal do primoroso roteiro...parabéns pela perspicácia!

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  2. Vou ser muito seguidor e eu peguei a história, embora eu não sigo muito o gênero ocidental que não pára o gozo porque é uma mistura de ficção científica, faz-nos perguntar de que lado estamos, às vezes apoiamos a inteligência artificial ou a humanidade, é muito sábio para reprisar a história, o elenco é excelente, com algumas referências, outra vantagem é a música adaptada, ele nos promete muito e acho assim sera, Westworld eu acho que é os melhores lançamentos do ano, impecável em cada detalhe, com uma realidade alternativa que eu não acho que estamos muito longe com essas idéias que temos a raça humana para jogar criar a vida.

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