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Os problemas e a aceitação da vida adulta em How I Met Your Mother

Já disse aqui outras vezes que sou fascinado por filmes e séries que retratam fases da vida, já escrevi sobre filmes de adolescente e até fiz uma análise detalhada de Clube dos Cinco, de qualquer maneira esse foi o efeito que How I Met Your Mother teve em mim, se muito se fala da fase da adolescência, ainda há um apego as coisas da infância mas devemos aceitar os termos que a juventude cobra, a rotinas e os passa-tempos com os amigos mudam e devemos aceitar, essa talvez seja a parte da vida mais intensa e curta, e quando ela acaba lá estamos nós nos tornando adultos.

Mas quando ocorre essa transição para a fase adulta? quando passamos a achar sexos de uma noite fúteis e deixam de ser tão legais? Uma noite no bar com os amigos se torna melhor que uma balada, Essa fase deve acontecer entre os 25 a 30 anos, a idade dos nossos protagonistas desta que acaba de se tornar a minha série de comédia preferida até então. Fazendo um paralelo simples com Friends podemos dizer que enquanto ambas possuem personagens marcantes mas que o diferencial é que em How I Met temos um roteiro profundo que toca em assuntos que com certeza devem ser muito tocantes para aqueles que se identificam.


Ser jovem é ter o mundo livre, é nessa fase da vida que cometemos erros que parecem irreparáveis, amamos como se não houvesse amanhã, temos as primeiras experiências enquanto nos distanciamos dos nossos pais (pois procuramos outras formas de reflexão).  É por ser uma fase tão intensa que fica difícil nos desapegar. Amadurecer é um processo lento e doloroso, que significa abrir mão de muitas idéias e atitudes que considerávamos como imutáveis e absolutas. E nesse ponto How I Met Your Mother é certeiro, quando trabalha com os desapegos e as frustrações que ocorrem durante esse processo.

Falando dessa fase, enquanto Barney e Robin recusam a vida adulta temos Ted, Lilly e Marshall ilustrando muito bem a aceitação dela, vamos reparar no Ted, no inicio ele é um mimado egoísta que coloca seus problemas românticos acima de qualquer coisa (mais ou menos como um adolescente de 15 anos costuma fazer), mas conforme a série passa o personagem cresce, apesar de ficar as 9 temporadas procurando a mulher da sua vida ele percebe que o sucesso profissional e responsabilidades também importam, ele aprende que o relacionamento perfeito é uma mentira, vivemos nessa matrix de relacionamentos perfeitos quando o vemos em novelas, nas reuniões de família ou no instagram, e Ted precisa aceitar que o amor não é simples e imediato, e sim algo complexo que deve ser conquistado com o tempo.

Também temos Lilly e Marshall, um dos casais mais divertidos da televisão, e uma vez que juntos desde a faculdade devem enfrentar essa passagem para a vida adulta também juntos, um dos momentos mais notáveis da série é quando os dois se cansam de dividir o apartamento com Ted e partem para um sonho, ter o próprio espaço, o próprio lar, ter privacidade como casal comprando seu próprio apartamento.

Enquanto Marshall precisa superar seu idealismo para trabalhar onde receba um bom salário, Lilly deve aceitar sua compulsão por comprar e que trabalhar com arte é impraticável, mais decepcionante ainda é quando descobrem que comprar o apartamento não é tão fácil. E se vocês se lembram o apartamento é torto: a compulsividade é um problema que nos deixa temporariamente cegos, e quando eles percebem o que realmente está acontecendo (o apartamento ser torto) a mensagem passada é de que nada é tão bonito e mágico como pensávamos na adolescência, o tão incrível primeiro apartamento que imaginamos provavelmente seja, de fato, imaginação.


Robin é a típica pessoa com medos de relacionamento, ela é uma mulher bem resolvida que coloca o trabalho acima de qualquer coisa (talvez ela seja o oposto de Ted) a personagem não possuí muito background para ser comentado, ela se mudou do Canadá para Nova York em busca de uma oportunidade americana de emprego, ela encontra e passa as 9 temporadas subindo na carreira e tendo que aceitar o amor, a grande questão quando ela aceita é se realmente vale à pena, já que desde que ela aceitou aquela trompa azul ela só sofreu por isso, bom, de qualquer jeito uma personagem feminina definida por "foco total no trabalho" é sempre bom.

E enquanto todos devem enfrentar essas situações problemáticas envolvendo casamento, filhos, relacionamentos, emprego, Barney é o personagem que simboliza esse medo das responsabilidades, ou melhor, o medo de não nos sentirmos mais jovens e livres. Ele dedica sua vida exclusivamente aos prazeres pessoais, é quase um escravo de si mesmo. Não consegue conceber a ideia de felicidade compartilhada ou ser feliz fazendo algo que deixa outra pessoa feliz. Barney é o típico adulto que recusa a paternidade porque isso irá tirar sua liberdade, tem medo de se relacionar de maneira séria pois isso irá destruir sua individualidade. Ele se destaca por viver ao mesmo tempo o oposto da maioria de seus amigos. Enquanto Lilly e Marshal debatem a questão de filhos, Barney cria o Dia dos Não Pais. Mas qual o significado disso tudo? Simplesmente uma piada? Não, o que How i Met Your Mother ilustra é processo de negação que adultos como ele vivem no dia-a-dia.

É incrível como How I Met Tour Mother coloca na mesa muitas reflexões sobre esse momento da vida que não se pode mais contar com o colo da mãe. É uma fase ótima da vida onde se trocam os valores e começam a vir as responsabilidades, o problema é ter coragem de enfrentá-las, talvez fosse isso que Ted queria ensinar aos seus filhos (além de tentar voltar para Robin), vão ter problemas, responsabilidades e diversas crises, mas para continuar jogando precisamos aceitá-las.

"Há tantas coisas maravilhosas acontecendo em nossas vidas agora. O bastante para sermos gratos. Mas nós cinco no MacLaren's sendo jovens e estúpidos não é uma delas". -Robin, S09xEP23


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