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A filosofia em Ghost In The Shell (O Fantasma do Futuro)

Uma vez o filósofo Plutarco se fez um questionamento, se o navio de Teseu parte em alto mar em busca de aventuras, e, até ele voltar, todas as peças foram trocadas, o navio que voltou é o mesmo que partiu?, isso se torna ainda mais interessante quando adaptado para humanos, se tudo em nós mudou, continuamos sendo a mesma pessoa? é impossível entrar no mesmo rio duas vezes, você e a correnteza mudaram, de acordo com Ted Mosby se pensarmos em nós mesmos de alguns anos atrás este ser já é irreconhecível. Mas e se, literalmente, todas as peças do nosso corpo fossem trocadas? Cada órgão, cada músculo, um por um, até não sobrar mais nada humano, apenas um espirito, um fantasma preso numa concha, nesse caso este ser continuaria sendo um humano?


E é sobre este questionamento que se constrói toda a intrigante narrativa de Ghost In The Shell, ou Fantasma do Futuro, animação de 1995 com uma premissa filosófica bem próxima com a apresentada em Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas (ou Blade Runner), até o futuro distópico é parecido, ambos são as grandes referências do cinema de ficção científica Cyberpunk, esse visual maravilhoso, sujo e velho com tecnologias tão mirabolantes, placas de cores num mundo tomado por corporações.

A trama acompanha Major, responsável pelas operações da Seção 9, força tarefa designada para combater crimes no ciberespaço que, no ano de 2029, é tão evoluído a ponto de conceber total sintonia entre homem e máquina, o que prevê uma série de melhoras corporais, a tecnologia sendo usada por todos como uma extensão de nossos corpos, habilidades inimagináveis, longevidade existencial. E estes crimes são tão complexos por motivos de que, com essa sintonia entre o homem e a máquina, hackers já estão conseguindo inclusive hackear pessoas, o que gera uma nova onda de crimes que a equipe de Major deve enfrentar, porém a Seção 9 é financiada pelo governo, e o que acaba sendo descoberto é que o próprio governo está envolvido nessa onda de cibercrime, por exemplo, logo nas primeiras páginas do mangá observa-se que esta tecnologia é usada pelo próprio governo para fazer lavagem cerebral em crianças trabalhadoras. Algo interessante de Ghost In The Shell é justamente este mundo permeável de criticas sociais que usa do futuro para criticar o presente.


Outra coisa que vale ressaltar é como o retrato da Major foi sensível na animação, na cena de abertura contemplamos Major saltando de um prédio completamente nua, mas sem nenhum apelo sexual, na cena se pode ver que ela é incapaz de criar vida biológica, de mesmo modo que possui o simbolismo do nosso corpo em sua natureza, este em queda, podendo ser definida por uma simples, mas complexa questão quando refletida: “Qual é a natureza humana?” Logo o vislumbre daquele corpo desnudo, belo mas mecânico, não evoca outra sensação, além de confusão. Sabemos que uma das mais óbvias confirmações de nossa humanidade é a alma, não apenas no sentido religioso, mas essa chama imperecível de vida que arde dentro de nós, traduz aquilo que somos e nos situa dentro da existência, porém, acompanhando a jornada de Major, isso pode ser perdido.



PS. defendi a nudez de Major não ter apelo sexual apenas para narrativa, claramente seu corpo é retratado de forma machista, em alguns momentos sua sexualização é completamente desnecessária.

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