Friday, April 4 2025

Header Ads

Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro) nunca perde o encanto!

Começando um especial com o ideário de escrever sobre todos os filmes do Studio Ghibli pareceria lógico começar com o belo Castelo no Céu, primeiro trabalho do estúdio. Porém, nada condensa melhor os objetivos de Miyazaki e Takahata quanto sua terceira obra - existiu Túmulo de Vagalumes neste meio, mas, por favor, não falemos sobre isso :'( - Meu Vizinho Totoro. Foi um filme particularmente revolucionário para os animes.


O Studio Ghibli, quando foi formado, objetivou-se trazer algo de original à indústria. Num documentário existente no blu-ray do filme, o próprio Miyazaki descreve como o status quo do anime na época enfatizava "velocidade" e "ação" acima de tudo. Quando Miyazaki começou a dirigir seu próprio trabalho, ele preferiu se inspirar nas obras de cineastas como Yasujiro Ozu e Kenji Mizoguchi: filmes tranquilos que enfatizavam a beleza de o mundo cotidiano e a vida das pessoas comuns.

Gostava de filmes com quase nenhum conflito que eram retratos da profundidade do mundano. Por tal existe o tão comentado Ma (vazio) na sua obra, a própria contemplação substancial do nada, as cenas em que, em suma, nada acontece. E, embora cenas como as de Mei e Satsuki simplesmente cozinhando ajudem a criar o senso de proximidade do público, a ideia principal é a de observar a natureza das coisas. Nenhum adjetivo definiria o Miyazaki de seu cinema autoral melhor que "observador".

O Max do canal Entre Planos desenvolveu o tema melhor do que eu poderia:



Meu vizinho Totoro abre com um pai e duas meninas se mudando para uma nova casa no interior do campo, para que possam viver mais perto de sua mãe doente. As irmãs, Satsuki e Mei, são deixadas para explorar sua nova casa e as florestas ao seu redor quando descobrem acidentalmente o benevolente espírito da floresta Totoro - uma criatura gigante e confusa que é uma parte da coruja, uma parte do gato gigante, uma parte do guaxinim e uma parte outro gato gigante.


Porém, o filme raramente enfatiza seus elementos mágicos. O lado “mágico” do realismo-mágico é subestimado, por ser menos importante mesmo, as cenas em que Satsuki e Mei riem com o pai, andam de bicicleta para o hospital ou esperam em um ponto de ônibus enquanto estão encharcadas de chuva são a alma do filme, e o lado místico apenas flui envolta da trama como agua correnteza em uma pedra. O normal e o anormal estão em estado de equilíbrio.

Algo que também chamou atenção na minha recente reassistida foi a inevitável melancolia da história. Ela parecer ser rodeada pela mortalidade, não só pelo elemento da mãe em estado terminal, mas de toda a vivacidade das plantas e da floresta, que inevitavelmente estarão por lá quando as duas crianças não mais estiverem. Entretanto, admito que deixar a mãe viva foi inexplicavelmente forte para mim, visto que sua história levava para um inevitável falecimento: pode ser minha perspectiva de recém órfão, mas deixá-la viva pareceu um jeito de homenagear todos os mortos da vida real, como se num mundo animado e de magia idealizado por nós humanos, eles continuariam vivos.

Obrigado por isso Miyazaki.

Um comentário:

@ArturAlee #GeekDeVerdade. Tecnologia do Blogger.